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|a A Biologia mostrou ̉humanidade que a reproduȯ̂ humana pode ser pensada como uma loteria1 que tem inc̕io, em regra e, ao menos por ora, na uniô das cľulas germinativas feminina e masculina – inicialmente, dentro do corpo humano – e que encontra seu clm̕ax no nascimento de mais um ser. Ela revelou tambm̌, em julho do ano de 1.978, manifesta e apotet̤ica mutaȯ̂ ao comunicar a existn̊cia de Louise Joy Brown, o primeiro beb ̊de proveta do planeta. Este estudo busca explorar queste̳s ligadas ao universo da reproduȯ̂ humana assistida com uma peculiaridade: o uso de lentes epistm̊icas forjadas no Espetc̀ulo roteirizado por Debord. Envolta por esse contexto, a obra encontra-se ambientada em um espaȯ inegavelmente colonizado pelo Mercado, mesmo que at ̌mui recentemente tenha servido de palco para um sem nm︢ero de queste̳s de ordem estritamente privada. O percurso adiante trilhado foi pensado para permitir que o leitor (a) observe importantes aspectos no processo de mutaȯ̂ das faml̕ias brasileiras, em especial, no tocante a algumas de suas conexe̳s com a crescente busca da reproduȯ̂ assistida, (b) entenda como o Mercado opera – por meio da publicidade e de outras prt̀icas comerciais que transitam, muitas vezes, por sobre os umbrais da licitude5 – e, ainda, (c) identifique a presenȧ de riscos que, embora, usualmente nô informados pelo Mercado, pululam na seara fenomn̊ica. Ele pretende, ainda, (d) induzir o leitor que, porventura, tenha contato com esta investigaȯ̂ a refletir se o Direito brasileiro oferece a devida e necessr̀ia proteȯ̂ s̉ mulheres ou s̉ faml̕ias que recorrem ̉reproduȯ̂ humana assistida buscando a realizaȯ̂ de projetos parentais. É preciso antecipar, ainda, que a utopia que impulsionou nossas penas ao longo de aproximadamente cinco anos conduziu ̉bricolagem de reflexe̳s espalhadas por temas que s̉ vezes parecem deveras distantes uns dos outros como (a) a espetacularizaȯ̂ da vida, (b) a colonizaȯ̂ da reproduȯ̂ humana pelo Mercado e (c) a regulaȯ̂ jurd̕ica do tema no Brasil. O trabalho entrelaȧ investigaȯ̂ ter̤ica e empr̕ica.
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